Hoje falaremos um pouco sobre
TOLERAR. A palavra tolerância vem do latim tolerantia, do verbo tolerare que significa suportar, ato de admitir sem reação agressiva ou defensiva. Tolerar requer um esforço maior
do que aceitar. Como anda sua tolerância? Será que
temos tido dificuldade em aceitar quem pense diferente de nós? Será que temos tido
dificuldade para suportar quem saiba menos, ou quem pareça ser menos
inteligente? Precisamos falar sobre essa virtude que é o mínimo necessário para
quem se denomina cristão e principalmente para uma convivência saudável, sem
tantos atritos e desencontros. Tolerar é
exatamente não aceitar, não concordar, mas apesar disto, respeitar. Respeitar o
ponto de vista do outro, a forma dele agir, a forma dele ser, mesmo que não
concordemos com ela. Tolerar
os limites e os problemas do próximo, mas nunca dar apoio ao equivoco, ao erro,
nem negligência para com o dever. Ser tolerante implica aceitar que todo indivíduo tem a livre escolha das
suas convicções, e que o outro tem o direito de desfrutar da mesma liberdade
que eu, em outras palavras: “Tolerância
é dar aos outros seres humanos todos os direitos que exigimos para nós mesmos”.
Estando na terra para aprender e progredir espiritualmente, temos na tolerância
uma das mais importantes conquistas a serem alcançadas. As atitudes de Jesus retratadas no Evangelho
são exemplos vivos da tolerância. Mesmo traído, caluniado e perseguido,
Jesus nos tolerou e ainda nos tolera com serenidade e amor. Embora tolerante, o Cristo demonstrou sempre
atitudes enérgicas, quando estas se fizeram necessárias. Ser tolerante é não nos contagiarmos com o
erro ou mantermo-nos indiferentes ao mal, porém, cabe a nós compreendermos que
todos estamos em posições diferentes e só podemos auxiliar aos outros dentro de
nossas possibilidades. Sermos tolerantes para com todos é o melhor modo de
assegurar a nossa paz interior em busca de nossa paz interior. Se cada um se
encontra em degraus evolutivos diferentes é natural que não sejamos
compreendidos por aqueles que se posicionam numa escala inferior à que já
atingimos, tanto quanto encontramos dificuldades para entender o desprendimento
e amor daqueles que já alcançaram degraus acima dos nossos. Como espíritos
imperfeitos que somos, todos necessitamos da tolerância de Deus e nem sempre
sabemos ser tolerantes, como devemos, para com o nosso próximo. Exercitando a
tolerância em nosso próprio lar, nos será mais fácil exemplifica-la na escola,
no trabalho e na sociedade, até que possamos um dia nos identificar
definitivamente com esta virtude que ainda nos falta. Isso tem que ser tornar
um exercício, pois o exercício da
tolerância inclui em primeiro lugar, o respeito a outra pessoa e isso não
significa concordar incondicionalmente com o que está sendo dito, anulando
nossa opinião ou nos submetendo ao que nos violenta ou faz mal. A tolerância nos permite considerar que existem sim, diversas formas de
olhar para a vida, outras maneiras de ser ou vários tipos de ideais, que existem
opiniões diferentes da nossa mas que isso não significa necessariamente uma
afronta pessoal. Olhando ao nosso
redor não fica difícil constatar que a cada dia cresce o número de pessoas
intolerantes no mundo, seja na família, no trabalho e, principalmente, no
trânsito. Dia destes, vendo televisão, deparei-me com um homem que estava com o
carro parado ao lado de um ônibus num trânsito bastante caótico. De repente,
ele saiu pela janela do seu carro, quebrando aos socos o vidro do motorista do
ônibus; agredindo-o de forma violenta, quem sabe, por algum motivo banal. Numa
outra situação, diante de uma fechada brusca, um motorista persegue o outro e
acabam se agredindo no meio da rua. Numa situação destas, percebe-se que as
pessoas, de modo geral, estão "explodindo" por muito pouco,
totalmente fora do seu controle emocional. A pergunta é: onde iremos parar com
isso tudo? Como será a geração futura das nossas crianças, quando presenciam
tamanha barbaridade? São perguntas simples, porém, importantes para que
possamos começar a nos conscientizar da total intolerância que vivenciamos. Estamos vivendo
um momento delicadíssimo no que diz respeito a intolerância. Mas quando
tratamos desse assunto, não estamos nos referindo apenas a intolerância social,
política, religiosa, entre povos e nações, estamos falando da intolerância que
sai de nós mesmos em direção ao nosso semelhante, ao nosso próximo mais
próximo, em todo e qualquer momento. Estamos falando da nossa sombra mais
oculta. Allan Kardec, que atuou como professor dos 19 aos 50 anos de idade tinha
uma preocupação enorme com as atitudes dos pais e educadores, das pessoas em
geral, em relação aos jovens e crianças. Dizia ele que, uma palavra mal
colocada por causa de um gesto de intolerância poderia por a perder todo o
processo de regeneração de um ser. No sermão da montanha, Jesus encorajou,
enfaticamente, os mansos e pacíficos, isto é, os cultivadores da serenidade e
da paciência; encorajou igualmente os pacificadores, ou seja, aqueles que
promovem a paz. Encorajou-os para que continuassem com aquela postura, para que
não desanimassem diante da dureza do coração humano e das dificuldades da vida,
pois se assim fizessem, sairiam vitoriosos, dignos de merecerem o "Reino
dos Céus". Paciência significa
"paz em nós". Se não conseguimos cultivar e promover essa paz
em nós mesmos, dificilmente a aplicaremos em relação aos outros. Somente através de uma
conscientização, fazendo uma revisão geral na nossa vida, com relação às nossas
posturas, valores e crenças, é que poderemos dar início a uma profunda mudança
de comportamento. Não podemos modificar o outro, mas podemos nos modificar com
nossa reforma interior, com um repensar sobre nossas atitudes. Saber dos nossos limites, onde começa o meu e
termina o seu, torna-se fundamental para o respeito mútuo. Se pararmos para
observar, quando estamos desequilibrados, tudo parece conspirar para que a
situação vivenciada aumente de tamanho, ou seja, a irritação, desconfiança,
medo e insegurança tendem a se tornar nossos maiores inimigos. Quantas vezes
nos deparamos com pessoas que reagem de forma agressiva ante as adversidades da
vida e depois acabam se arrependendo amargamente de suas atitudes impulsivas. Antes
que possamos pensar em agredir alguém, seja, física ou verbalmente, é
importante pararmos para analisar se a situação fosse inversa; ou seja, e se
fosse comigo? Ou ainda, qual será a consequência de minha atitude. Pensar,
antes de tomar qualquer atitude impulsiva, sempre foi a melhor opção para o
treinamento da tolerância. Enquanto não usarmos
de tolerância uns para com os outros, continuaremos distantes do “amar ao
próximo como a si mesmo”. “Indispensável não entrar em área de atrito, quando
se pode contornar o mal aparente a favor do bem real”, disse Joanna de Angelis
no livro Convites da Vida. No caso do erro alheio, quase sempre, é preferível manter
a amizade, o relacionamento, e, principalmente, não ferir ou magoar o outro,
porque se um dia temos de amar ao próximo como a nós mesmos, temos de começar a
exercer a tolerância com os erros e omissões do nosso mais próximo no momento,
tornado-o satisfeito conosco, para mantermo-nos em harmonia. Voltamos a dizer:
podemos ser tolerante com as faltas alheias, mas não as assimilar, nem
sintonizar com as fraquezas morais a pretexto de bondade ou gentileza. Não
precisamos nos corromper, apenas respeitar. Benevolência para com os direitos
alheios, não produzindo choque, não escandalizando, é relevante testemunho de
tolerância. Allan Kardec formulou uma tríade como base para a felicidade
humana: Trabalho, Caridade e Tolerância. Assim, tolerância sempre, em qualquer
lugar na família, no trabalho, nas ruas, nas filas, no Centro Espírita. Ser
tolerante com os erros alheios é ter compaixão de quem erra, porque seu juiz é
a sua própria consciência. É ajudar o que tomba, pois sua fraqueza já lhe constitui
punição. É compreender as dificuldades alheias, no seu processo evolutivo,
tanto quanto queremos que os outros sejam tolerantes conosco. Colocarmo-nos no
lugar de quem erra, sentir suas dificuldades, é um bom começo para o exercício
da tolerância. “Fora da caridade não há salvação”, escreveu Allan Kardec e, se
tolerância é o começo da caridade, como escreveu Joanna de Ângelis, precisamos
nos esforçar por desenvolver em nós a tolerância com as falhas dos outros,
graves ou pequenas, como queremos que os outros sejam tolerantes com as nossas
falhas. Ser tolerante é também, aprender com o infrator, pois ele
representa o passado ou o futuro de quem não prossegue no bem, e, todos nós,
Espíritos imperfeitos, vivendo em um mundo de expiações e de provas, já erramos
muito e ainda continuamos errando, apesar da vontade de viver de acordo com as
leis de Deus, ensinadas por Jesus. Pensemos nisso sempre que formos
tentados a criticar alguém, pois ainda vemos o cisco no olho do próximo e não enxergamos a trave no
nosso. Pior que gostamos de comentar só o lado desagradável das pessoas, e isso
até nos dá prazer, mostrando que ainda temos muito que aprender e vivenciar dos
ensinamentos de Jesus. Allan Kardec registrou: “Incontestavelmente, é o orgulho
que leva o homem a dissimular os seus próprios defeitos, tanto morais quanto
físicos”. Por que exigimos perfeição
dos que nos rodeiam e somos complacentes com nossos abusos? Precisamos inverter
isso: Sejamos primeiro rigorosos conosco e, então, compreensivos com os outros.
O intolerante não perdoa, nem mesmo atenua as falhas humanas e, por isso,
falta-lhe a moderação nas apreciações para com o próximo. Vê apenas o lado
errado das pessoas, o que em nada estimula o bem proceder. A fácil irritação é
também um aspecto predominante do tipo intolerante. O senso de análise e de
crítica é nele muito forte. Na sua maneira de ver, quem erra tem que pagar pelo
que fez. Não há considerações que possam aliviar uma falta. Tolerar determinadas pessoas ou situações muitas
vezes é algo muito complexo. Mas façamos esse bem a nós mesmos. Sobre isso Emmanuel nos disse, no livro Plantão de Paz,
psicografia de Chico Xavier: “Tolerância é caminho de paz. Não julgues
esse ou aquele companheiro ignorante ou desinformado, porquanto, se aprendeste
a ouvir, já sabes compreender. Diante de criaturas que te enderecem
qualquer agressão, conversa com naturalidade, sem palavras de revide que possam
desapontar o interlocutor. Perante qualquer ofensa, não percas o sorriso
fraternal e articula alguma frase, capaz de devolver o ofensor à tranquilidade. Nos
empecilhos da existência, tolera os obstáculos sem rebeldia e eles se te farão
facilmente removíveis. No serviço profissional, suporta com paciência o
colega difícil, e, aos poucos, em te observando a calma e a prudência, ele
mesmo transformará para melhor as próprias disposições. Em família, tolera
os parentes menos simpáticos e, com os teus exemplos de abnegação, conquistarás
de todos eles a bênção da simpatia. No trânsito público, não passes recibo
aos palavrões que alguém te dirija e evitará discussões de consequências
imprevisíveis. Nos aborrecimentos e provações que te surgem, a cada dia,
suporta com humildade as ocorrências suscetíveis de ferir-te, e a tolerância se
te fará a trilha de acesso à felicidade, de vez que aceitarás todos os
companheiros do mundo na condição de filhos de Deus e nossos próprios irmãos.” Jesus Cristo vivia cercado de
intolerância: os judeus e os samaritanos, em especial, se odiavam; os homens
tratavam as mulheres como inferiores; e os líderes religiosos judaicos
desprezavam o povo. Mas Jesus era
conhecido por ter um conceito bem diferente. “Este homem acolhe pecadores e
come com eles”, diziam seus opositores. Ele era bondoso, paciente e tolerante
porque sua principal motivação era o amor, porque Ele não veio nos julgar, mas veio
nos ajudar no sentido espiritual. Sabemos que tolerar embora pareça complicado
é imprescindível para o bem viver. Vou contar uma historinha sobre essa atitude
de TOLERAR: Conta-se que um sábio estava, certo dia, falando a seus discípulos
sobre a necessidade de ser tolerante, compreensivo e não se deixar levar pelos
problemas do dia-a-dia. Dizia ele ser necessário sempre procurar entender os
motivos que levam as pessoas a se comportarem de forma inadequada, tanto com os
amigos e familiares, como com os estranhos. Ele explicava que, muitas vezes, as
pessoas se comportam mal por ignorância ou porque se deixam levar pela ira e
pelo descontrole emocional. Enquanto ele falava, aproximou-se dele um homem
que, sem qualquer motivo, passou a ofendê-lo verbalmente de maneira muito
agressiva. Os discípulos ficaram abismados com a violência com que o tal
indivíduo se dirigia àquele santo homem, e verdadeiramente paciente, tolerante
e compreensivo, um homem de Deus com toda a certeza! O agressor parecia que não
se cansava de proferir blasfêmias contra o sábio e este, apenas o ouvia, sem
proferir uma única palavra. Depois de muito ofender, o homem virou-se e se foi,
sem conseguir ter provocado qualquer reação naquele homem santo, que continuava
com a mesma tranquilidade que trazia no semblante, quando da chegada do
agressor. Um dos discípulos, não se conteve e lhe perguntou: - Mestre, como o
Senhor pôde ouvir tanta infâmia e se manter calmo, sem esboçar uma única reação
ou proferir uma única palavra em sua defesa? Tudo o que este homem lhe disse,
foram indignidades que o senhor não merecia ouvir! Por que o senhor não se
defendeu, não disse nada, não reagiu? Então, o mestre, com toda a calma que lhe
era característica, respondeu: - Meu filho, se eu te oferecer um presente e
você não o aceitar, com quem ele fica? E o discípulo respondeu: - Comigo, é
claro! O mestre sorriu e lhe disse: - Pois então! Ele veio trazer-me insultos
como presente e como não os aceitei, ele os levou todos de volta com ele! Isso
meus irmãos é um exemplo do que é o exercício da tolerância, eu respeito a
postura do outro mas não me envolvo com seus sentimentos. Para finalizar vou ler uma mensagem do
espirito Maria Rosa, psicografia pela médium Cristina Barude, de Salvador, em
março de 2013: “Que a Luz Divina possa aplacar a intolerância de toda ordem.
Não há que se fazer diferença entre os homens, sejam brancos, negros, pardos,
sejam norte-americanos, orientais, latinos, hetero ou homossexuais. Não há que
se fazer diferença entre pobres e ricos, nobres e plebeus, entre classes
sociais. Não há que se humilhar os que erram, os que devem, não há que se
julgar ninguém, porque ninguém está livre do erro, dos deslizes, das tentações,
das dificuldades. E o que hoje está no alto, amanhã poderá ter caído e sentirá
na pele a dor da discriminação, do desprezo e da ausência de caridade. O que
hoje é branco poderá renascer negro. E o que é abastado pode nesta vida mesmo
perder tudo o que tem. E o que é credor pode se tornar devedor. Portanto, olha
com compaixão para aqueles que estão no erro, que falharam com seus
compromissos, que praticam atos equivocados acreditando que estão certos. Usa a
tolerância como para-raios, para deter qualquer energia de ódio, vingança ou
violência contra quem quer que seja, inclusive para os que te ferirem. Perdoa,
pratica o perdão a si mesmo e ao próximo. Se és vítima de calúnias e
injustiças, acalma teu coração, compreende e perdoa. Encontra na fé forças para
prosseguir. Deus está a todo momento acenando e provando que não te abandona.
Ele acena através dos recursos que disponibiliza dia a dia para a resolução dos
teus problemas. Cresça com a dificuldade, supera os desafios, os aparentes
limites do teu ser, pois a capacidade é infinita para quem crê e confia. Acenda
o candeeiro da fé e da certeza de que a estrada pode ser longa, mas
poderá ser encurtada com otimismo e coragem, com determinação e persistência”. Que
Jesus nos conceda a cura do corpo e da alma. Paz e Luz para todos!
Fonte: https://www.asomadetodosafetos.com/2017/01/aceitar-as-pessoas-como-elas-sao-nao-nos-obriga-conviver-com-elas.html
http://picdeer.com/gesa.sementedeamor
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